Entre uma pandemia e uma guerra – Cultura - Cigarrete Tabacaria

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Entre uma pandemia e uma guerra tem que nascer uma flor.

Em nome das crianças que atravessam a fronteira sorrindo, brincando com bonecas de pano e fantasias de Homem-Aranha. 

Em nome das mães que empurram carrinhos de bebê, que amamentam nos bunkers frios e cantam para seus filhos adormecerem.

Em nome dos velhinhas que saem às ruas de avental e colher de pau, que enfrentam invasores como se ‘ralhassem’ com a meninada.

Em nome do jardineiro que ainda não desistiu do seu jardim; do professor que ainda tenta ensinar alguma coisa aos seus alunos; em nome do engenheiro que sonha em reerguer um prédio bombardeado. 

Em nome da cozinheira que preparou uma ‘quentinha’ e saiu distribuindo entre os soldados.

Em nome do soldado que abandonou as armas e abraçou um inimigo. 

Em nome também dos vira-latas, que, mesmo assustados com o barulho das bombas, não saem do lado dos seus donos mortos.

Em nome dos homens de fé que continuam rezando mesmo sem nenhuma resposta. 

Em nome dos órfãos que ainda chamam pelo pai. 

Em nome de quem arrisca a própria vida para salvar um desconhecido.

Em nome do palhaço que passa o dia ensaiando um número engraçado – mesmo sem saber se alguém, algum dia, vai poder voltar a rir.

Em nome da cantora que atingiu o seu agudo mais potente e desviou a rota de uma bomba nuclear.

Em nome da bailarina que, na ponta dos pés, atravessa a cidades em chamas.

Em nome dos namorados que ficaram em lados opostos desta rinha.

Em nome dos poetas que continuam escrevendo. 

Em nome dos repórter que, de coração apertado, não deixa de cumprir o seu ofício.

Em nome dos que ainda tomam café e procuram por boas notícias no jornal pela manhã.

Em nome dos ratos – porque são apenas ratos.

Em nome dos sonhos que morreram inconclusos com o despertar do caos.

Entre uma pandemia e uma guerra tem que nascer uma flor. Não qualquer flor. Mas uma flor distraída, desocupada, inconsciente da sua própria responsabilidade.

Entre uma pandemia e uma guerra tem que brotar uma rede onde a gente possa descansar um pouco.

Entre uma pandemia e uma guerra tem que existir uma rota de fuga, uma saída. Pode ser um amor, um cigarro, um dry martini ou um bom filé. 

*Gilberto Amendola é repórter do Estadão e observador da vida urbana

 

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